Cadastre-se e receba o informativo periódio da CPT por e-mail.
:: remover cadastro
E-mail:
Senha:
 
 
   
 
 
 
» Regional Paraná

A CPT NA REGIÃO SUL E OESTE DO PARANÁ

A CPT inicia sua ação pastoral na região sul do Brasil, a partir da década dos 70, quando o processo de modernização agrícola era evidente. De fato, o capital agro-industrial começou a recolonizar a região, concentrando a estrutura fundiária e modificando as relações sócio-econômicas do campo. Submentendo a agricultura a uma dinâmica que acabava exterminando de vez com a organização dos colonos sulistas, baseada na propiedade familiar.

Este processo de modernização, estava sendo posta em prática desde o Estado, e isto se evidenciava, por exemplo, através das construções de hidroelétricas, podendo se destacar: a Usina de Itaipú, as Barragens da Bacia do Uruguai, Salto Santiago, Ilha Grande, Rosana, Primavera. Cabe ainda dizer, que estas construções era uma das fases necessárias para a efetivação do projeto, cuja idéia básica era integrar o campo à cidade, com a hegemonia desta.

Esta recolonização ao redefinir o espaço agrário, gerou uma mobilidade na população rural do Sul, levando aos colonos a integrar-se, num processo de seleção – exclusão. Em razão destas novas diretrizes políticas, os colonos (pequenos proprietários, arrendatários, semi-assalariados- agregado-, parceiro, posseiro), começaram a reagir.

Estes ganharam maior peso politíco, ao organizarem-se em diversas frentes corporativas de luta, tais como: Luta por preço nos produtos (Viticultores-Rs/Sc, Produtores de Leite-Rs, “Justiça e Trabalho” dos Suinocultores- Pr, etc.). Luta por indenizações - em função de obras públicas (Rodovias e hidroelétricas) - tais como: “Movimento Terra e Justiça” em função da Barragem de Itaipú, Atingidos pela rodovia Xanxerê (Sc), Atingidos pela Barragem Dona Francisca (Rs); Luta pela Terra (Fazenda Burro Branco- Sc, Ronda Alta- Rs, MASTRO- Pr, e outras lutas afins como, financiamento da lavoura, luta pela cidadania, entre outras.

Este processo de modernização/recolonização na verdade, era parte de um movimento de integração submissa do camponês e de certa forma do campo á cidade. Procurando viabilizar uma melhor exploração do recursos rurais pelo capitalismo urbano-industrial.

Esta dinâmica agrária ao aplicar técnicas de mecanização do solo, utilização de isumos, etc, na produção agrícola, acabava expulsando o colono da terra. Por várias razões intercaladas, algumas vezes porque a mecanização na produção exigia mesmas mão-de-obra, outras porque o novo processo exigia determinados financiamentos bancários, cujos juros exorbitantes endividavam o pequeno produtor, que perdia a terra para o banco.

A saída obrigada dos colonos de sua propriedades, garantizava uma maior concetração de terras, propiciando o surgimento da chamada “empresa rural” (cuja produção está diretamente integrada ao processo agroindustrial), e por propiciar um êxodo rumo às capitais do Sul, garantindo reserva de mão-de-obra nas periferias dos grandes centros.

Em função deste novo contexto político- agrário na Região Sul, inicia-se uma série de conflitos com os colonos que resistiam ao êxodo, e ao processo de marginalização de sua pequena produção. Situação que vai a levar a intervenção da CPT na região, com o objetivo de mediar e organizar, como aconteceu nos primeiros anos de luta, os trabalhadores rurais do Sul.

Podemos concluir, que a estruturação da CPT, em toda a região Sul, está diretamente ligados a dois fatores. Primeiro ao inicio do projeto de modernização que marginalizava os colonos, fazendo deles objeto dos meandros do poder. E segundo em razão da iniciativa dos colonos de se organizarem coletivamente, desafiando o poder econômico-político, o que criou uma nova relação de forças entre o agricultor expropriado e o poder central hegemônico.

Especificidade da CPT na Região Sul Paranaense

Na Região Sul, a atuação pastoral da CPT é caracterizada por uma especificidade, ela atua basicamente nos movimentos organizados pelos colonos.

É indiscutível, que estas organizações coletivas do Sul, recebem e receberam um apoio direito das igrejas através da CPT. Sua atuação consiste em tentar criar bases concretas para uma unificação das forças e de uma identidade política e social dos diferentes segmentos de colonos. Movimentos que uma vez articulados tem criado novas condições políticas para a questão agrária. Chegando até mesmo a canalizar seus interesses e lutas como classe.

Apesar, de muitos organismos de representação, inclusive de esquerda, estarem interpretanto estas organizações como lutas pré-políticas, os resultados não tem se restringido à conquista da questão imediata, a terra. Mas sim, repercutindo em organizações mais amplas e permanentes, por estarem hoje através de lutas específicas subvencionando um projeto político sistemático.

A CPT do Sul segue diretrizes comuns, determinadas pela CPT nacional, em Assembléia. Não havendo portanto particularidades no âmbito da direção, mas sim, quanto a problemática social enfrentada no campo. No sul, trabalha-se diretamente com colonos, cuja realidade específia dá as conotações básicas do trabalho pastoral das igrejas através da CPT, a pesar de que em 1994, iniciou um trabalho de conquista da terra com os volantes (bóia-frias) do norte de Paraná, na cidade Paranapoema. No entanto, em finais da década de 90, o boia-fria, predominante do noroeste do estado, está sendo cooptado pelos programas do Governo Estadual através das Vilas Rurais.

A  CPT e os Movimentos de Trabalhadores rurais no Oeste do Paraná

Na região oeste do Paraná, podemos analisar a presença pastoral da igreja a partir de dois momentos distintos.

O primeiro momento, foi a sua articulação direta com o movimento dos expropriados pela usina hidrolétrica de Itaipú. Coube a CPT, intervir na questão da desapropriação, organizando a partir de l978 os colonos afetados. Em razão desta articulação, é criado em l980, o “Movimento Terra e Justiça” que acabou por fazer deste problema um fato político, gerando sérios questionamento à política governamental. Este movimento durou até l982 quando foram pagas as indenizações.

Outro momento claro, quanto a atuação da CPT dentro dos movimentos, no oeste do Paraná, está na sua atuação dentro do MST. Em l982, é organizado no Oeste do Paraná o MASTRO - Movimento dos Agricultores Sem-terra do Oeste, como um desdobramento do “Movimento Terra e Justiça”, envolvendo milhares de trabalhadores e trabalhadoras rurais, e tendo como principal base de apoio a organização e direção da CPT.

O MASTRO, desenvolveu-se estructurando os colonos sem-terra até o ano de l984, quando integrou-se com outros movimentos e ocupações de alguns estados do Brasil, formando o MST,  defendendo como princípios: a Luta pela Terra, a Reforma Agrária e a Luta por uma sociedade mais justa.

Passado algum tempo à fundação do MST, como movimento popular, este começou a distanciar-se de suas origens “Igrejeiras”, iniciando uma fase conflitiva entre a CPT e MST.

Em uma entrevista com Pe. Zenildo, Coordenador Estadual do Paraná da CPT, ao responder sobre a história do relacionamento das duas organizações diz: “no final da década de 80 houve um conflito entre a CPT e o MST, em função de que o movimento estava realizando ocupações sem uma proposta de discussão”.[i]

Em outra entrevista realizada com Elson, ex-membro da direção estadual do MST no Paraná, ele responde sobre a mesma pregunta: ”houve um período de relação tensa entre 87/88, quando os papéis de cada entidade não estava claro ”.[ii]

A fase conflitiva persistiu, até o momento em que houve uma remodelação das funções e papéis, onde basicamente a partir do início dos anos 90, o MST assume de vez sua postura leiga e política, responsável pela elaboração de políticas agrárias, e pela organização direta dos trabalhadores rurais. Enquanto a CPT, se volta ainda mais para o seu papel de intermediadora, conseguindo diversas formas de apoio às lutas pelas questão da reforma agrária.

Neste sentido, Elson, afirma que: “na prática o papel da CPT é ser uma ponte entre, os trabalhadores e a Igreja Católica, e em um segundo momento ser uma ponte entre a igreja e a sociedade, denunciando a questão da terra”.[iii]

O estudo de Sérgio Sauer, aponta ainda para este fato. Concluindo que nos assentamentos do Oeste paranaense, grande parte dos entrevistados responderam que sentiram a maior presença da Igreja CPT nos momentos mais dificéis da luta pela posse da terra.

Mostra ainda Sauer, que a atução da prática pastoral através da pastoral da terra, nos momentos de conflito prioriza a conscientização política, a organização, e motivação dos trabalhadores. E que depois de realizado o assentamento a Igreja volta-se as suas práticas institucionais normais e até conservadoras.

Podemos afirmar que o apoio da CPT dentro destes movimentos dos sem-terra, destaca-se por ser a instituição apta a realizar a mediação política entre a organização e a sociedade como um todo, inclusive ajudando em muitos casos na organização interna dos trabalhadores.

As conexões recentes da CPT
 
O processo de internacionalização dos conflitos sociais na luta pela terra nos últimos 07 anos tem obtido um poderoso aliado. Os sistemas de comunicação tradicionalmente controlados pela oligarquias ou grupos hegemônicos no poder controlavam de forma arbitrária a veiculação e produção de informações referentes as lutas sociais.

Um aspecto importante, das modificações tecnológicas, tem sido a velocidade de transmissão de informação, por um lado, e por outro a ampliação do número de receptores destas imformações. Neste sentido a CPT tem sabido desenvolver uma estratégia de construção de uma rede de solidariedade cidadã internacional de amplos espectros. A qual tem respondido, sempre que solicitada, pressionando de forma direta sobre os responsáveis da violência no campo, em particular o poder executivo.

Esta pressão se deixa sentir, através das inúmeras ligações telefônicas nacionais e internacionais,  fax e correios eletrônicos (e-mail) que chegam aos gabinetes das Secretárias, Ministérios, Delegacias, Procuradorias, Gabinetes e  Câmaras, exigindo medidas de defesa dos direitos dos trabalhadores rurais e denunciando atos de violência cometidos contra estes.

Um exemplo, de cómo funciona esta rede de conexão é o caso do assassinato do trabalhador rural Diniz Bento da Silva (Teixerinha) as mãos do aparato repressor do Governo do Estado do Paraná.

Em 1993, a região oeste do Estado do Paraná se insere no cenário nacional e internacional. Entre 3 e 8 de março de 1993, o município de Campo Bonito adquire notoriedade pela violência com que é tratada a questão da terra. Ali se apresenta a complexidade de um processo de resistência e imposição, onde o poder público, representado pela Polícia Militar do Estado, executa um homem, impunemente, em defesa dos interesses dos grupos detentores do poder econômico, justiça permitida pela conivência do Governo do Estado, como o demonstra a carta de renúncia do Secretário de Assuntos Fundiários do Governo Estadual.

Dentro do mesmo contexto, em 21 de maio de 1999, a violência institucional do executivo paranaense, se deixa sentir no município de Querência do Norte, quando de uma só vez foram despejadas 138 famílias de trabalhadores rurais, de diferentes áreas de ocupação no município. Segundo a CPT[iv], o responsável da organização do despejo foi o mesmo militar, que em 1993 havía sido relacionado com o assessinato e tortura de Diniz Bento da Silva (Teixerinha), como também, em diversos casos de ações de repressão contra trabalhadores rurais.

Através destes fatos, demostra-se claramente o interesse político do poder executivo, em atuar de forma sistemática e planejada contra a dinâmica das reivindicações sociais populares. Assim como as suas alianças de interesses, as quais vão além da sua juridição administrativa, envolvendo alguns setores do poder judiciário comprometidos com a fazendeiros[v].

Nestes casos, a rede de informações independentes foi o meio pelo qual as noticias circularam de forma rápida e imediata, por vários lugares do mundo[vi]. Assim, fizeram-se sentir moções de apóio á causa social, bem como o repúdio das violações dos Direitos Humanos[vii],  cometidos ou bem permitidos pelas “autoridades públicas” contra crianças, mulheres e homens, no Município de Querência do Norte e em outras regiões do Paraná.

Deste modo, pensamos que a importância estratégica das comunicações e vínculos, tanto nacionais como internacionais, na luta pela construcão de um Estado de Pleno Direito no Brasil, no qual a CPT, desenvolve um importante papel, resulta, sem dúvida, da conjugação e conexões das alianças que estão além das fronteiras nacionais.


[i] Cf. Pe. Zenildo Megiatto - Entrevista realizada em 12/06/l994

[ii] CF. Elson Borges dos Santos - Entrevista realizada em 20/07/l994

[iii] Ibidem

[iv] ARBEX, J. Terror no Paraná. São Paulo: Caros Amigos. 1999, p. 10 – 19.

[v] Veja-se a situação de sentenças e processos que se desenvolem em todo o estado do Paraná, em particular os da região norte e noroeste do Estado, contra os trabalhadores rurais vinculados ao MST.

[vi] Espanha, Inglaterra, Estados Unidos, Bélgica, Alemanha, assim como numerosas instituições entre elas Anmistia Internacional, e os diferentes Comites de Apóio ao MST no mundo, assim como grupos de solidariedade enviaram e-mail, fax, cartas de protesto e solicitaram informações a respito da violação dos direitos Humanos ao Governo e delegacias de polícia.

[vii] Desde o início do Governo Jaime Lerner, até maio de 1999, a violência policial e dos grupos liderados pelos fazendeiros havía realizado duzentas prissões, quinze assessintos, seis torturados,  trinta tentativas de assessinatos e quarenta e uma ameaça de mortes, tudo isto em contra de trabalhadores rurais.

Inserida por: CPT.org.br fonte:  JORGE GUERRA VILLALOBOS - Departamento de Geografia – Universidade Estadual de Maringá; GEOVANIO ROSSATO - Prof. do Departamento de Ciências Sociais -
  Matérias:
DOM MAURO MORELLI PARTICIPA DE EVENTO NA PUCPR E FALA SOBRE O DESAFIO CRISTÃO DA SUPERAÇÃO DA FOME E DA MISÉRIA
Evento é promovido pelo Curso de Filosofia da PUCPR em parceria com a CPTPR e a CRB.
CARTA DA XIX ASSEMBLÉIA DA CPT
“Sabemos que toda a criação geme e está com dores de parto até agora.” (Romanos 8, 22)
A DEMOCRACIA EM DEBATE
CPT, PUC E ASSEMBLÉIA POPULAR PROMOVEM CONFERÊNCIA COM FREI BETTO
AGENTES DA CPT-PR ESTUDAM DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA A RESPEITO DA TERRA
Encontro foi realizado em Atalaia, nos dias 12 a 14 de outubro de2006.
ENCONTRO DISCUTE RELAÇÕES SOCIAIS DE GÊNERO E CULTURA CAMPONESA
Encontro reuniu cerca de 200 pessoas
PADRE ZENILDO CELEBRA 20 ANOS DE ORDENAÇÃO SACERDOTAL
Celebração será neste dia 18 de maio.
FIRMES COMO ALGUÉM QUE ENXERGA O INVISÍVEL
Confira carta da XVII Assembléia Nacional da CPT
VEJA CARTA DO II CONGRESSO NACIONAL DA CPT
Entre os compromissos que a carta apresenta está: “Apoiar as comunidades e os movimentos populares em suas lutas contra a concentração fundiária, contra a devastação ambiental, contra a privatização, mercantilização e poluição da água"
CAFÉ DA MANHÃ AGROECOLÓGICO ABRE COMEMORAÇÕES DO JUBILEU DE DOM LADISLAU BIERNASKI
Dom Tomás Balduíno falará sobre o papel da Igreja no apoio às lutas sociais.
Carta da 17ª Assembléia Nacional da CPT
CPT diz que as decisões do Governo Federal privilegiam o mercado capitalista e o equilíbrio financeiro, sem investir na Reforma Agrária e na Agricultura Camponesa.
FELIZ NATAL E PRÓSPERO 2004
Comissão Pastoral da Terra do Paraná
DESTAQUES DO NOSSO TRABALHO 4
A contribuição da CPT na luta pelos direitos humanos
DESTAQUES DE NOSSO TRABALHO 3
A contribuição da CPT na articulação da RENAP
DESTAQUES DO NOSSO TRABALHO 2
A contribuição da CPT na criação da APEART
DESTAQUES DO NOSSO TRABALHO 1
A contribuição da CPT na criação da CRABI (Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Rio Iguaçu).
LINHAS DE AÇÃO - TEMAS TRANSVERSAIS
Temas transversais do trabalho da CPT
LITERATURA REGIONAL SERÁ TEMA DO DIA NACIONAL DE FORMAÇÃO NA CPT
O dia 22 de junho foi escolhido pela CPT – Comissão Pastoral da Terra do Paraná, como Dia Nacional de Formação. O tema deste ano é a literatura regional, tentando resgatar a história do povo brasileiro revelada pelos autores da terra.